As previsões eram de aguaceiros fortes, trovoada e rajadas de vento. Uma meteorologia bastante instável num perfeito dia de Outono.
Equipei a Nikita para o efeito, com mudas de roupa, um impermeável, abastecimento alimentar e material que uma pessoa prevenida deve levar, para não ter de aborrecer ninguém, num passeio em autonomia.
Vários fatores tinham-me feito hesitar em participar neste brevet, como a doença do meu pai e a tentação de experimentar o Skyroad Granfondo na Lousã. Mas o meu pai melhorou e ganhou alguma autonomia, passei a achar que o Granfondo não era a minha praia, não por causa da dureza, pois considero-me razoavelmente preparada, mas por causa da logística, deslocamento, alojamento, e sobretudo pelo mediatismo do evento. Sinceramente, fujo de passeios com milhares de participantes, que parecem passeios, mas que acabam por ser uma competição. Resolvi apostar no brevet randonneur pelo qual tenho um certo carinho, pois foi o meu primeiro, queria revisitar aquelas estradas e aferir a minha evolução.
Na noite anterior desabou um violento temporal, com direito a vento e trovoada que me fizeram estremecer de inquietação. Adormeci à 1h00 da manhã e levantei-me às 3h30. Lá fora, a chuvada forte deixara a estrada molhada, bastante escorregadia, uma humidade pesada e as folhas das árvores que tinham sido chicoteadas pelo vento, estavam quietas. O vento passara.
Menos mal, pensei esperançosa. Pode ser que o tempo se aguente assim durante umas horas.
Confesso que a coisa mais difícil deste dia, foi sair de casa às 5h30 para apanhar o comboio.
Estava bastante quente e por aqui o vento, já passara há muitas horas. Com o entusiasmo do costume, depois de confraternizar com os outros randonneurs, parti. Que tempo fantástico! Ainda bem que a Meteorologia se enganara nas previsões.
As primeiras luzes da manhã cegavam-me a ponto de ter algum receio de bater na roda dos randonneurs que pedalavam à minha frente. Felizmente, estes mantinham as suas Cateye Rapid 5 ligadas.
As primeiras luzes da manhã cegavam-me a ponto de ter algum receio de bater na roda dos randonneurs que pedalavam à minha frente. Felizmente, estes mantinham as suas Cateye Rapid 5 ligadas.
Durante muitos quilómetros, tive a companhia do José Mota e mais alguns participantes. Por vezes trocava algumas palavras com este e aquele, por vezes passavam-se vários quilómetros sem dizer uma palavra.
É curioso que sempre achei uma coisa enfadonha pedalar em retas
intermináveis e, neste brevet os quilómetros passaram ligeiros,
desfrutando do caminho sem pensar muito no destino.
Atravessei o empedrado da Azervadinha sem dramas em direção ao Couço, a caminho de Mora. Até ao Couço a média foi de cerca de 25km/h.
Em Mora, reencontramos vários randonneurs que carimbavam o cartão e se abasteciam. Alguns deles só voltamos a ver à chegada em Vila Franca de Xira.
Os cerca de quarenta quilómetros do troço da linda estrada N2 que separam Mora de Montemor o Novo convidam-nos a pedalar com prazer e sem muitas pressas, pois o sobe e desce não o permite. As novas rodas da minha Nikita adoraram.
Atravessei o empedrado da Azervadinha sem dramas em direção ao Couço, a caminho de Mora. Até ao Couço a média foi de cerca de 25km/h.
Em Mora, reencontramos vários randonneurs que carimbavam o cartão e se abasteciam. Alguns deles só voltamos a ver à chegada em Vila Franca de Xira.
Os cerca de quarenta quilómetros do troço da linda estrada N2 que separam Mora de Montemor o Novo convidam-nos a pedalar com prazer e sem muitas pressas, pois o sobe e desce não o permite. As novas rodas da minha Nikita adoraram.
Cheguei ao Café Pão Nosso de Cada Dia, o posto de controlo três, em Montemor o Novo, ao quilómetro 129. O posto de controlo numero dois tinha sido no Café Afonso em Mora. Ainda tinha umas sandes de queijo e um pacote de chá verde Gorreana que trouxera, para um belo lanche à mesa da esplanada. A partir daí perdi o contato com os meus companheiros. Habituada a fazer os brevets sozinha, continuei o caminho, com uma breve paragem em Vendas Novas para encher os bidons e comer um queque.
No regresso, a poucos quilómetros da rotunda do Infantado, uma pequena nuvem cinzenta brindou-me com uma pequena chuvada. Acendi as luzes da bicicleta às 18h30, antes de entrar na reta do Cabo e pouco tempo depois enfrentava a rampa das Piscinas de Vila Franca de Xira, dando por concluída a minha última participação deste ano. É tão bom chegar ao fim de um brevet a pensar: "isto para mim é um pequeno almoço". Nem sempre é assim...tem dias.
Moral da história: em 2013 concluí o Tejo-Sorraia-Tejo com a mesma média que em 2012, de 21,4km/h (não espero grandes milagres pois nem sei como se treina para pedalar a 30km/h, limito-me a pedalar enquanto sentir força nas pernas, e nesta idade, nem vale a pena meter-me em campeonatos de velocidade; o único verdadeiro milagre é estar aqui entre tantos "craques", tendo aprendido a pedalar há quatro anos) A diferença é que desta vez não sofri, não tive medo, ia melhor equipada para qualquer imprevisto e pedalar 214 kms foi um belo passeio.
Ups, eu falei em médias?...tenho de ter cuidado senão fico parecida com aqueles "randonneurs" que no fim de um brevet a única história emocionante que têm para contar é aquela em que conseguiram uma média alucinante e chegaram entre os primeiros.
Moral da história: em 2013 concluí o Tejo-Sorraia-Tejo com a mesma média que em 2012, de 21,4km/h (não espero grandes milagres pois nem sei como se treina para pedalar a 30km/h, limito-me a pedalar enquanto sentir força nas pernas, e nesta idade, nem vale a pena meter-me em campeonatos de velocidade; o único verdadeiro milagre é estar aqui entre tantos "craques", tendo aprendido a pedalar há quatro anos) A diferença é que desta vez não sofri, não tive medo, ia melhor equipada para qualquer imprevisto e pedalar 214 kms foi um belo passeio.
Ups, eu falei em médias?...tenho de ter cuidado senão fico parecida com aqueles "randonneurs" que no fim de um brevet a única história emocionante que têm para contar é aquela em que conseguiram uma média alucinante e chegaram entre os primeiros.
Em 2013, fui a todos os brevets randonneurs, tanto os organizados no sul como os da Via Veteris. Também foi um ano marcado pela tristeza irreparável de ter ficado a 80kms de ser Super Randonneur. Planeei tudo dentro do possível, com algum sacrifício pessoal em que notei algumas melhorias entre aquilo que era e aquilo que sou agora. Para muitos é ridículo, pois continuo a chegar em último, a pedalar "mal", mas eu sinto que estou diferente.
Há coisas que não teriam sido possíveis sem os conselhos dos randonneurs mais experimentados, pesquisa e muita aprendizagem. Estamos sempre a aprender.
Há coisas que não teriam sido possíveis sem os conselhos dos randonneurs mais experimentados, pesquisa e muita aprendizagem. Estamos sempre a aprender.
Fazer um brevet, não tem de ser sinónimo de sofrimento, sei o que tenho de fazer para reduzir as hipóteses das coisas correrem menos bem, antecipar-me aos problemas, sei onde estou e para onde vou. A qualquer momento, mantenho sempre esta certeza: hei-de chegar lá!
SAW old Autumn in the misty morn
- Stand shadowless like Silence, listening
- To silence, for no lonely bird would sing
- Into his hollow ear from woods forlorn,
- Nor lowly hedge nor solitary thorn;--
- Shaking his languid locks all dewy bright
- With tangled gossamer that fell by night,
- Pearling his coronet of golden corn.
- (Thomas Hood)


