“A perfeição é alcançada a passos lentos; é necessária a mão do tempo.” (Voltaire)

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Cavaleiros da meia noite

Concluído! Brevet randonneur 200kms

Esta noite revisitei o reino gelado das sombras.

Custou-me imenso decidir se participava por sentir-me insegura sobre a minha condição física. Confesso que sair de casa para ir pedalar à meia noite faz despertar fantasmas inquietantes. Mas fui, não podia resistir ao apelo Rando.

"O Midnight Ride 200 tem um objetivo simples, ganhar experiência, pedalando uma noite inteira num BRM de 200kms e assim ganhar esse endurence para brevets mais longos e também para quem goste de pedalar de noite sem ir para muito longe.
Como de noite todos os gatos são pardos, é essencial que os randonneurs vejam e sejam bem vistos (...)"
Aves noturnas

À meia-noite em ponto saímos de Vila Franca de Xira, mergulhando no nevoeiro da Reta do Cabo. Colei-me a um grupo simpático. Mais à frente o nosso grupo cresceu porque encontramos alguém com problemas mecânicos que acabou por acompanhar-nos durante grande parte do percurso. Silenciosos deslizamos pelas estradas quase desertas, rasgando a escuridão com o foco dos nossos farois. Vila Franca de Xira, Pegões, Vendas Novas, Montemor o Novo, Fonte do Patalim e depois, o regresso.

Um bocado frio não é? Brrr...

Quando partimos não chovia e o vento soprava ameno. Mas cedo descobrimos que tinhamos pela frente uma noite gelada, um pouco para lá do suportável. Tivemos frio, muito frio. Todos falavam disso e alguns como eu batiam o dente e evitavam parar muito tempo. A minha estratégia, foi usar a balaclava, várias camadas de roupa, luvas de neoprene e creme de arnica para proteger as articulações. Depois da meia noite nem vale a pena procurar um café aberto e aconselharam-nos a levar mantimentos. Eu levei. Mas comi pouco e bebi ainda menos. Seria do frio?

Sono? Não tive problemas de privação porque na tarde anterior desfrutara de uma bela sesta. 

Um bocado escuro? nem por isso.

Desta vez devido a ser noite de fim de semana e por motivos de segurança, recomendaram-me o uso do colete refletor sobre a camelbak. Ganhei uma enorme marreca, com grande desgosto. 

A Nikita estreou uns "sapatos novos", o combo Continental GP Attack/Force. Estava linda e como sempre provou porque razão é a  minha melhor companhia  nos brevets.

Nos últimos quilómetros, o grupo dividiu-se impondo cada um o seu ritmo.

Apesar da navegação ser bastante simples e do acumulado praticamente insignificante, não foi um passeio para "meninos". 

As fotos para encher o blogue foram roubadas; teve de ser, porque os dedos gelados, a eternidade para lembrar como se tiram fotos noturnas no telemóvel eram incompatíveis com a pressa de partir e não arrefecer muito. Que inveja das pessoas que raramente sentem frio.

Nota: o meu agradecimento aos simpáticos voluntários, a todos os companheiros de viagem que tornaram o caminho mais fácil e às magníficas fotos tiradas pelo J.P.Mota.





sábado, 15 de fevereiro de 2014

Queimando pneus


O céu continua encoberto e o Sol ora aparece ora esconde-se. 

Oleei a corrente e meti ar nos pneus da Charge, pensando em:
 «Os dias sem ti/ 
São todos iguais/ 
São dias sem brilho/ 
São dias a mais»
J. Aguardela 

Quase a chegar a Setúbal, feliz como uma andorinha, a saborear um passeio de 3 dígitos (contas certas, 50 na ida e 50 na volta), quando ... puff! o pneu traseiro fura! 

No problem! Reparar um furo também faz parte do treino. A chatice é quando começa a chover precisamente naquele momento e os dedos (con)gelam de frio. Vá lá! Não me posso queixar muito, porque furei a poucos metros da bomba de gasolina e foi só caminhar um bocado até lá. No fundo tive sorte. E na bomba de gasolina passa muita gente que até gosta de ajudar, se eu precisar.

Nos 50 quilómetros de regresso os meus pensamentos dividiram-se entre o medo de voltar a furar e a utilidade destes pneus que já vinham na Charge quando a comprei. 
No espaço de uma semana o pneu Continental Ultra Race da roda traseira da Charge furou duas vezes. Um recorde para quem furou duas vezes em 2013 e 2012 e uma vez em 2011. Os pneus Grand Prix 4000S da Nikita, com cerca de 7000 quilómetros nunca furaram.




Estou a magicar se não seria boa ideia fazer os brevets com uns Grand Prix Attack/Force combo 700 22/24 e mudar os GP4000S para a Charge. Os reviews favorecem o GP 4000S desde que sejam 700x25 e eu tenho 700x23, que não me parecem ideais para os brevets, mas são perfeitos para as voltinhas domingueiras.


domingo, 9 de fevereiro de 2014

Leitura em dia

Enquanto lá fora as árvores estremecem com a passagem da Tempestade Stephanie .... um sopro de 130km/h, nada como perder algum tempo a ler:

"While someone can properly call themselves a Randonneur by completing a 200K brevet, successfully completing a Grand Randonnee - a 1200 kilometer (750 miles) brevet - can be considered the crowning achievement of the sport. The quadrennially held 1200k Paris-Brest-Paris may be the original and ultimate Grand Randonnee but there are now Grand Randonnees across the United States and around the world. 
Of the small percentage of cyclists who are Randonneurs, an even smaller number complete a Grand Randonnee. Of that small number, even fewer complete two in a year. Of that tiny number a select few complete more than two.
Mark and Bill Olsen are two of the select few in the country who have ridden more than two Grand Randonnees in one year. In fact, between them, the Olsen brothers have successfully completed over 60 randonneuring distance rides."
Cique:  Irmãos Olsen 

Outras leituras, clique: Long Distance Handbook

Sítios que gosto de frequentar:
- estes sim, sabem "potes" dos assuntos que me interessam e já lá fui buscar muita informação. Foi-me recomendado por uma participante do PBP, clique: yacf
- quem diria que iria encontrar um forum ciclismo, versão feminina, pois ele existe, na América com um nome sugestivo, clique: Team Estrogen
La vélo Duchene
Zeu - Happy Birthday brother

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Uma nova loja na cidade



Conheci uma nova loja de bicicletas em Almada, a BK, a cerca de 3 quilómetros de casa. Gostei.
Têm lá coisas bonitas; fui atendida por um jovem casal muito simpático, a minha Charge foi muito acarinhada e saiu de lá mais silenciosa. Um grande, grande alívio, depois de três meses a ouvir o chocalho das latas.
Têm bicicletas de outros tempos e bicicletas mais modernas; reparam, restauram bicicletas e não acham estranho eu usar campainha, guarda lamas, bagageiro ou descanso.
Bicicletas para andar de bicicleta. 
É mais um lugar para frequentar assiduamente. 

Uma bela iniciativa de um jovem casal nestes tempos em que as bicicletas conquistam cada vez mais espaço.


domingo, 2 de fevereiro de 2014

Fui ver o mar



Hoje foi um dia péssimo, porque não concluí o percurso previsto. Senti-me cansada, a Charge parecia mais pesada e os últimos quilómetros até ao Seixal foram em sofrimento. Acho que ando a alimentar-me incorretamente ou a calcular mal o abastecimento para as voltas.

Para evitar a confusão do Mercado do 1º domingo do mês em Azeitão, fui pedalar para Alfarim, Aldeia do Meco, Sesimbra e depois Arrábida. Durante cerca de 30 quilómetros estive muito bem acompanhada, depois foi a solo. 
Pedalei cerca de 132 quilómetros com 1890 metros de elevação. Faltavam apenas 20 quilómetros para chegar a casa.
Um passeio para ver o rio e o mar




P.S. : O guarda lamas da Charge que eu adoro, está a deixar-me à beira de um ataque de nervos. Faz um barulho semelhante ao chocalhar das latas de um carro dos "casados de fresco". Tenho de descobrir uma solução Sempre tive uma "panca" por estes guarda lamas.