8 de dezembro 2013
Quando acordei esta manhã, fui à janela ver se o vento ainda soprava muito forte. Nem uma folha se movia. Perfeito- pensei e voltei para a cama. O relógio marcava 04h00.
Às 07h00 levantei-me e Sol que nesta altura do ano invade o quarto estava encoberto. Aborrecida fui à janela confirmar as minhas suspeitas. Caíra um nevoeiro cerrado. Oh céus! bradei, quando é que voltam os dias perfeitos. Mesmo assim, equipei-me rigorosamente para enfrentar as temperaturas baixíssimas deste Outono impiedoso. Os meus planos de começar a pedalar às 08h00 da manhã mudaram para as 10h00 e depois foram adiados para as 11h00. Eram 11h14, o Sol estava a reaparecer quando comecei a pedalar em direção à Arrábida. A Nikita ficara em casa e levava comigo a Charge.
Que louca, pensava! subir a serra numa bicicleta de aço. Nem devo conseguir subir o Alto das Necessidades! Lá segui eu pela N10. Passei a subida de Negreiros, Brejos de Azeitão, Picheleiros e a Charge rolava, rolava, suavemente. Eu continuava desconfiada. Até onde é que este "ferrinho" consegue ir?
Surpresa! subi o Alto das Necessidades sem ouvir queixas do joelho. A nova cassete 11-32, é um descanso. A subida do Vale da Rasca pareceu-me quase plana.
Em sentido contrário passavam os ciclistas domingueiros vestidos de lycra colorida e montados em bicicletas ultra leves dignas de um Tour de France. Olhavam a minha Charge com guarda lamas, com estranheza. Ataquei a subida da serra pelo lado da Secil. Ouvi uma saudação numa língua estrangeira. Olhei e era um turista vestido com trajes casuais. Mais à frente passei por um randonneur meu conhecido de muitos brevets e novo cumprimento. Até ao fim da subida, tive a companhia de um ciclista que vinha a comentar: "ela (a bicicleta) está aguentar-se bem".
Lá em cima, o vento soprava ameno e o Sol brilhava intensamente.
Descida pelo Convento. Ai que frio! Nova descida vertiginosa até às praias. Quase a deixar a serra, ainda faltava testar a última subida, a tal que tem um segmento com 9% de inclinação. Sem grande sofrimento e, tranquilamente passei a subida dos Picheleiros. Quase a atingir os 60kms, lembrei-me que não comia nada desde as 10h00 da manhã e o relógio marcava 14h00. Parei para comer uma banana. O frio inibe a sensação de sede e, convém tomar os devidos cuidados para não ser demasiado tarde.
O trânsito de regresso a casa, típico aos domingos começava a intensificar-se. Eu só tinha uma preocupação: chegar a casa antes das 17h00, pois apenas levava luzes de presença e daí a pouco deixaria de ver o caminho.
Cheguei à Trafaria aos 100kms, quando ao meio da rampa, tive de abortar a subida. Uma matilha de cães abandonados de grande porte (e hoje vi imensos) ladrou para mim com hostilidade. Faltava pouco para o pôr do Sol e segui um caminho alternativo. Cheguei a casa aos 110 kms e mais de 1700metros de acumulado, obviamente satisfeita.
A Charge passara no teste com distinção; as dores no corpo eram insignificantes.
Pontos a corrigir: o guiador e o selim. Sinto falta do guiador da Velo Orange Gran Cru Rando e nada se compara a um selim Brooks.Também preciso trocar o porta bidons. Prende com tanta força que não consigo tirar o bidon e voltar a coloca-lo em segurança, em andamento. Também gostaria de não ouvir o barulho do guarda-lamas traseiro. Penso que deve ser um defeito de fixação. Parece que levo umas latas de alumínio a chocalhar. Nem preciso de campainha.
E nesta semana, com as voltas diárias casa-trabalho-casa, a Charge já somou 258kms. É tão viciante pedalar nela. Apetece andar, andar.
Se a levo um dia para um brevet randonneur? quem sabe.
I'm falling in love again.

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