“A perfeição é alcançada a passos lentos; é necessária a mão do tempo.” (Voltaire)

sábado, 4 de janeiro de 2014

As bicicletas que eu já tive

As fotos que vão ficando, transportam muitas recordações e não deixam o tempo diluir as belas histórias. Desde o triciclo de madeira construído pelo meu pai, quando eu era bebé, até à bicicleta de aço atual, o caminho percorrido, tem um track desenhado pelo Destino; nem sempre foi ou será linear, mas continua a valer a pena.
O lugar onde nascem os sonhos.
No verão de 1986, quando aguardava ansiosa pela lista de colocações na Faculdade, participei na brincadeira num concurso da Tulicreme. Tinha de ilustrar como era bom comer pão com Tulicreme. Fiz um desenho e enviei.
Qual não foi a minha surpresa quando algumas semanas depois, o meu pai recebeu uma carta a comunicar que eu, não só tinha conquistado o primeiro lugar, como uma bicicleta BMX. Infelizmente só tenho uma foto muito má dessa bicicleta e por isso, mostro aqui o esquema dela. Era vermelha com punhos e pneus amarelos.
  
Foi uma festa. Os meus quatros irmãos andaram nela até os pneus ficarem carecas. Foi nesta bicicleta que eles aprenderam a pedalar. Numa tarde de agosto, peguei na bicicleta, que afinal era minha e tentei montar. Caí logo na primeira tentativa. Em vez de desistir, insisti a tarde toda, apesar das esfoladelas e à noitinha já tinha adquirido alguns conhecimentos básicos e estava obviamente viciada. 
A faculdade e os anos que se seguiram e foram muitos, adormeceram estas belas recordações e fui adiando o dia em que voltaria a pedalar.
Em 2008, a convite de um colega meu, fui passar uns dias a Aveiro. Conheci a Praia da Barra, Ílhavo e fiquei deslumbrada com a naturalidade com que as pessoas pedalavam. Decidi, que iria deixar de pagar a mensalidade do ginásio(o galinheiro) e investir numa bicicleta para passar mais tempo ao ar livre. No início, não tive coragem de comprar uma Specialized de 500€, parecia-me demais. Comprei uma bicicleta de montanha em alumínio no Jumbo. Juntei-me aos miúdos do Clube de Ciclismo de Almada e, aos sábados ia ter com eles ao Parque da Paz, para aprender a fazer oitos, tirar as mãos do guiador e às vezes íamos mais longe, até quase perto do Cristo Rei.
A pasteleira do supermercado
Finalmente decidi dar um novo passo e comprei uma Myka da Specialized, que apesar de ser de uma gama muito baixa, já era mais evoluída que a pasteleira do supermercado. Com a Myka deixei a companhia do Clube de Ciclismo e fui pedalar para os trilhos com a tribo de btt da minha zona. Um desastre. Apesar de ainda não saber muito bem o que queria, descobri o que não queria quando dei uma queda violenta e fraturei o polegar direito. Ficou tão deformado, que duvido que alguma vez volte a desenhar como fazia antigamente.


Pousada da Juventude, Almada

Fonte da Telha, Almada

Serra da Arrabida, o refúgio

Serpa


Almada, em casa


Cabo Espichel

Salvaterra de Magos


Ericeira

O meu 1º Troia-Sagres

Arrabida


Mora - o meu 1º brm 200kms

brm 200km - Alto Minho, Esposende

Caminha
Amadora 2012


Alpiarça-Mealhada

Alqueva - brm400kms
Ponte de Lima, brm200kms-Alto Minho

Pronta para o brm 600kms
Viana do Castelo, brm 600kms

Caminhos de Fatima

Guarda-Manteigas-Torre

Ferry Troia-Setubal
L'Antique 200kms, Constância


Um assunto muito difícil de encarar é a morte daqueles que nos são queridos, que partiram e não deixaram endereço, número de telefone e nunca mais vão responder aos nossos emails. Só podemos compensar a dor, com a lembrança dos bons momentos.
Pode parecer mórbido, mas pedalar também convida à introspeção e a pensar no que é isto de ser um herói. para que serve ser herói ou heroína? Será para fazer a diferença na vida de alguém? Será isso que quero? Nao me parece. Há bons exemplos que vale a pena seguir e outros que até podiam ser bons, mas....
Tudo isto porque li um texto que vou transcrever:
"A morte é um assunto que todo mundo quer evitar, mas na realidade é dos temas mais motivadores que existe.
Quando temos a coragem de assumir que morreremos, sem escapatória, a ilusão de que temos algo a perder vai por água abaixo, a sensação do risco é substituida pela certeza da perda e como esta é inevitável em nossa curta existência neste Planeta, o que mais temos a perder?
Outra ilusão é nos convencermos da existência de super heróis. Airton Senna, Anderson Silva, Michael Shumacher, Steve Jobs e muitos outros, quando diante do caos, deixaram o recado com eloquência que nenhum de nós sairá ileso.
Mórbido? Pense o que você quiser, pois esta é a realidade mais motivadora que existe. É a constatação necessária e suficiente para fazermos o nosso tempo valer a pena, para termos a coragem de lutar por nossos projetos, sem medo, sem essa de estabilidade e com absoluto desapego enquanto temos a consentimento para existirmos.
Viver com essa consciência requer coragem, abrindo mão de entorpecer-se de ilusão, de injetar a morfina da mentira e recusando-se a se tornar um zumbi ambulante que deposita as suas esperanças em castelos de areia.
Então, o que de fato vale a pena? Isso é um bom trabalho de casa pra você refletir...
Bom domingo!
" in Geração de Valor


O essencial é invisível aos olhos, vê-se com o coração

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